Do Verão

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Escolher projectos para fazer em crochet para mim é difícil: porque quero que fique bonito e que valha o investimento em tempo e material. Neste Verão resolvi fazer um saco, nunca tinha feito nada assim, e foi com espírito de aventura, pois não sabia se no final iria gostar do resultado.

Escolhi uma linha 100% de algodão em vermelho e outra em azul da Brancal, que considero adequada para um saco de praia. Segui o modelo da Drops e num instante tinha o saco feito.Quer dizer, não foi num instante porque faço e desmancho muitas vezes quando me engano ou quando não está à minha vontade. Devo dizer que o site da Drops é uma boa fonte de modelos de crochet, principalmente para iniciantes. Atenção ao idioma, se escolherem inglês a terminologia difere entre o americano e o britânico, como o próprio site da Drops indica (e ajuda!).

Agora falta-me fazer o forro! :)

bota-fora

E pronto, chega-se a uma fase da vida em que se começa a ter dias de “bota-fora”. Queres espaço? Bota-fora. Queres tempo? Bota-fora. Queres paz? Bota-fora.

Hoje ganhei espaço no telemóvel e na vida. Apaguei o Facebook e o Instagram – mas ainda tenho as contas activas. E apaguei a conta e a aplicação What’sApp. E porquê? Porque notei que não tinha tempo para o blog, nem para ler revistas e livros, nem para dar atenção ao que me rodeia, nem para desenhar. Assim não fico presa a espreitar pela janelinha pequenina o que os outros estão a fazer lá fora, o que estão a dizer, a fazer ou pensar. Assim posso concentrar-me numa actividade que sempre gostei de fazer: observar. E se for possível desenhar.

As fotografias vou continuar a tirar e vou guardá-las para publicar quando me aprouver.

Ah, e no sábado também me vi livre de algum cabelo e cortei a franja, o que implica actualizar a foto no perfil do blog e por aí fora. E se eu fizesse uma franjinha com uma esferográfica na foto actual? E já agora desenhava os óculos também. E depois punha no LinkedIn. E a seguir levava uma sarabanda da entidade patronal… Eh eh eh! :D

os dias passam

Os dias passam por mim como um sopro, como uma brisa de Verão que já lá vai. Pelo caminho tiro fotos, faço crochet, folheio as  revistas preferidas, e passo tempo com as pessoas queridas. O blog fica no fundo do saco, esquecido. O caderno de desenhos também tem ficado.

Setembro está a caminho, e apressa-se a hora de por tudo em ordem, de recomeçar, de reavivar o que ficou dormente, de limpar e arrumar, de preparar as jornadas. Vamos lá ver se é desta que rego esta semente :)

Viajar

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De vez em quando tenho de viajar em trabalho, o que pode parecer muito interessante, mas quando viajo em trabalho passo a maior parte do tempo dentro de um escritório e mal tenho tempo para refeições, e quase nenhum para passear. Desta vez, com o calor que se fazia sentir em Lisboa enquanto estava a preparar a bagagem, fiz a mala meio “assarampantada” e esqueci-me de levar o crochet! Menos mal, consegui aproveitar um compasso de espera para desenhar o casal que dormia no banco da frente.

O tempo que passo em aeroportos, desde a fila para deixar a mala, ao controlo de passaportes, à espera no portão de embarque, utilizo frequentemente para observar as pessoas. Fico sempre estupefacta com os sapatos de alguns passageiros, principalmente com os das senhoras que viajam de saltos altíssimos, pois a quantidade de horas que se está em pé e os quilómetros que se anda até ao momento em que (finalmente) nos sentamos no avião são razão suficiente para levar o que mais de confortável para os pés, e eu diria até que pantufas são aceitáveis nestas condições!

Desta viagem trouxe poucas fotografias mas prometo partilhar um pouco do que reteve o meu olhar nos próximos dias!

Último dia na Flic: la Madre

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Hoje é o último dia em que o fundo da Flic Magazine tem a minha assinatura. O desenho, transformado em padrão, foi inspirado na minha mãe <3. Gostava que toda a gente pudesse ter uma mãe como eu, não que a minha seja mais especial que as outras, o que gostava era que todos tivessem oportunidade de ter mãe, de ter uma mãe meiga e zelosa como a minha, bem disposta, e que me ensinou, entre muitas coisas e bons princípios, a ter um sentido prático, a ser desenrascada e autónoma.

Um dia, tinha eu uns 6 ou 7 anos, no tempo em que ninguém imaginava que viriam a existir telemóveis, perdi-me dos meus pais e da minha irmã em Espanha, no maior hipermercado que conheço, nos arrabaldes de Huelva. Olhei à minha volta e não os vi, procurei-os nos corredores mais próximos e nada. Então, decidida, dirigi-me para o carro, no estacionamento exterior, onde esperei tranquilamente por todos. Obviamente que lá dentro estava o pânico instalado e andavam todos loucos à minha procura, mas finalmente apareceram cá fora. Desde esse dia o carro passou a ser o ponto de encontro, mas nunca mais aconteceu um episódio semelhante.

Este episódio, contado e recontado vezes sem conta entre amigos e família, para mim é não mais do que uma consequência dos quase insignificantes gestos que a minha mãe me ensinava no quotidiano e me estimulava a ser capaz de fazer sozinha: desde o calçar-me, o tomar banho, abrir um pacote de leite, ajudar a fazer bolos, tirar alinhavos, e por aí fora, creio foram um contributo enorme para o meu crescimento. E também o exemplo de “super-mulher-faz-tudo” focada em encontrar soluções rapidamente para qualquer desafio doméstico! Eh eh! E estou muito grata por esse gesto de amor de mãe para filha. Hoje em dia, muitas vezes dou por mim a pensar “se a minha mãe estivesse aqui como é que ela resolvia isto?”. É sempre uma referência que trago na bagagem, especialmente quando vou para muito longe.

Algures

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Quis o destino hoje que eu fosse até às bandas do Colégio Militar e caminhasse em “algures” até chegar onde pretendia. “Algures”, assim lhe chamei, é um lugar em Lisboa que mais parece uma mão cheia de ruas e ruelas de uma pequena vila onde o sol bate durante a tarde com a força que faz a sua gente resguardar-se lá para dentro, senão com este sol ainda ficas doente.

Pelo caminho tirei esta foto. No meio de casa baixas de janelas decoradas com pequenos vasos e cortinas com pontas de crochet a ver quem passa, esta porta azul ali encaixada chamou-me a atenção.

Não há história senão esta. Fui a algures, passei por esta porta e fotografei-a. Fim. Sem romance ou simbolismos.

Na Flic de Maio, agora como pano de fundo

E para celebrar o mês de Maio, aqui vai um mimo: o fundo do site da Flic Magazine é “meu” durante este mês!

O convite já chegou há algum tempo, e tem estado bem guardado. Além deste desenho fiz outro também, mas a opção foi esta “senhora dona mãe”. Para mim Maio é o mês da Mãe, e fiz esta senhora inspirada na minha Mãe, pois foi dela que herdei o gosto pelo desenho e foi também quem me incentivou desde tenra idade a trazer sempre comigo um caderninho e uma caneta – ainda eu não sabia escrever (mas achava que sabia – um dia conto-vos a história). <3

Bom feriado! :)

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